INTEMPORAL

Março 14, 2009

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INTEMPORAL

Espaço, tempo, átomo.
Hora que se solta
num calendário sem data.
Breves palavras que se encontram
e se perdem num ponto
que se desfez no nada.
Pensamento esquecido
entre núvens de pó.
Sonhando!…

Deolinda de Almeida

1973

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ALMA DO POETA

Março 14, 2009

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ALMA DO POETA

Cintilando trémula e esquecida
aquela luz se apagou.
Naquele clarão da vida
outro e outros seres se estaziaram
num mundo ilimitado.
Num espaço perdido
alguém despertou
reanimando o desconhecido
céu azul.
Descalça e espavorida
a Alma do Poeta se perdeu
entre mil linhas de poesia.
Dormitando
pedras e espíritos se reuniram
amando o além.

Deolinda de Almeida

1973

CHOVE

Março 14, 2009

 

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CHOVE

Chove!…
Cai uma gota que resvala e se perde.
Chove!…
Caiem mil gotas
numa vidraça embaceada
por um bafo humano
que de repente cessa!
Chove!…
Num cantinho
aguardam-se esperas e lágrimas
que se confundem
com gotas de chuva
num impermeável sem cor.
Chove!…

Deolinda de Almeida

1973

NOITE DE LUAR

Março 14, 2009

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NOITE DE LUAR

Era noite e o reflexo da lua
despontava num ponto.
A praia era grande e no mar
havia outra lua e outro luar desconhecido.
Falámos e trocámos
olhares secretos.
Lembrámos e relembrámos
como duas crianças.
As conchas espalhadas
recordavam imagens e contos de fadas.
A espuma vinha e ficava na areia
que de repente
se vestia de branco.
Corremos!…
… Cabelos ao vento
olhares trémulos.
Era a praia, o mar, a lua e de repente
um beijo
rebentou o balão dos meus sonhos!…

Deolinda de Almeida

1973

DESCOBERTA

Março 14, 2009

 

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DESCOBERTA

Foi hoje.
Foi hoje que conheci
a parte negra e oculta daquele ser!
Fui levada na escuridão
a descobrir o Passado.
Um sopro de amargura
entreabriu
as portas do amanhecer.
O poder oculto
era uma sensação clara e transparente
como a água
da fonte dos desejos.
Perdi!…
… Perdi mais uma vez
aquilo que nunca construí.
Oh! Triste Alma que penosamente
te arrastas levada pelo desejo de viver.
De dor
o meu coração se esmaga.
Em mil linhas
derramo a minha tristeza!…

Deolinda de Almeida

1973

ESQUECER

Março 14, 2009

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ESQUECER

Esquecer
é como ser uma árvore e deixar de existir.
Não!…
Não esqueço!
Chamei-te
implorei que voltasses
mas jamais
te tornei a ver.
Oh, como o mundo se revolta!…
… Espera!…
Entre as minhas mãos
acaricio uma flor que pouco a pouco
lentamente
vai murchando.
Também as pétalas da minha Alma
vão caíndo e subitamente
a flor
acaba por morrer!

Deolinda de Almeida

1973

SOBREVIVÊNCIA

Março 13, 2009

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SOBREVIVÊNCIA

O dia acabou.
Perante a minha solidão
estazio-me num vácuo sombreado.
O porquê do existir das coisas e a razão do meu sêr
nada tem de comum com outrém
ou com qualquer outro objecto.
Viver
é como uma nuvem
que se dissipa na atmosfera.
Arde-me o medo que se incendeia
neste Espírito sem vida.
Porquê?…
… Mil vezes pronuncio porquê
mas sem qualquer resposta.
Por fim, a minha voz emerge
em céus pálidos.
Entre sete mundos
sobrevivo!

Deolinda de Almeida

1973

SAUDADE

Março 13, 2009

 

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SAUDADE

Pedra em que tropeço
dia e noite.
Luar que cintila
mas que não vejo!
Balada que pouco a pouco
se incendeia.
Espírito que apenas um vulto
se transforma numa imagem.
Triste, tristemente
a minha Alma se apaga!
No meu peito
a chama do meu sêr desaparece.
Desesperadamente
procuro!…

Deolinda de Almeida

1973

SINTONIA

Março 13, 2009

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SINTONIA

Na areia escaldante do deserto
dois pés gravaram o teu nome
e dois corações uniram-se por amor.
Os raios vermelhos que surgiram no céu
glorificaram dois seres
que se olhavam.
Duas lágrimas de fogo
incendiaram o véu das estrelas.
Todo o mundo acompanhou
duas luas que guardavam
as portas do horizonte.
Um vento manso e calmo
apagou levemente o nome
que profundamente
foi gravado na areia.

Deolinda de Almeida

1973

IMAGINÁRIO

Março 13, 2009

 

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IMAGINÁRIO

Era uma janela!…
… Entre a folhagem que envolvia o parapeito
imaginei-te!
Os raios de sol reflectiam-se num rosto
as águas do riacho sussuravam baixinho
e aquela estrelinha
sorria-lhes docemente.
O prado era verde
e recordava-me os teus olhos!…
… De repente
um cavalo branco
galopava nos meus sonhos
e mais uma vez
imaginei-te!
Imaginei-te o meu príncipe encantado
que desencantou uma bela adormecida
que sonhava
naquela janela.

Deolinda de Almeida

1973